Trama

 

Concepção: Raquel Schembri, Dragana Brankovic, Ricardo Portilho. Artista convidado: Shima.
Bandeirinhas: artesãs do Instituto Kairós (Macacos), Espaço Alice – Ass. Bom Samaritano (Vila de Sto Antônio/Bahia), senhoras de Bela Crkva e Sabac (Sérvia) e artesãs dos arredores de Belo Horizonte.

Uma viagem de Raquel Schembri a Bela Crkva e Belgrado (Sérvia) a fez conhecer a tradição de tricô e crochê locais, praticada por mulheres em seus ambientes domésticos, em pequenos vilarejos, não muito diferentes das que sua memória registrou em suas viagens pelo interior do Brasil.
Ofício essencialmente manual, o processo envolveu artesãs dos arredores de Belo Horizonte, Bela Crkva (Sérvia), Vila de Santo Antônio, na Bahia. E desta imersão nasceu um projeto que uniu estes três artistas, residentes em cidades distintas (Raquel em Munique/Alemanha, Dragana em Belgrado/Sérvia e Ricardo em Belo Horizonte/Brasil)

Uma dimensão marcante a ser considerada foi o contato com o universo de cada grupo e cada artesã. Embora não sejam mostrados na Simbio, registros do processo de produção e confecção do crochê foram reunidos para a produção de um video que documenta alguns aspectos desse projeto.

Contrastes e semelhanças são estabelecidos ao dispôr lado a lado, as bandeirinhas produzidas por estas três cidades. Caracterizado pela técnica do crochê, é impossível ao olhar menos experiente distinguir a diferença ou mesmo a semelhança entre as bandeirinhas. Por outro lado, o aspecto artesanal e o fazer manual disparam memórias que remetem ao universo familiar, à dimensão feminina representado pelas mães, tias avós, as mulheres que dedicam-se ao ofício de construir, ponto a ponto, com calma, afeto e dedicação. As bandeirinhas, construídas uma a uma, remetem à mesma forma das bandeirinhas das festas juninas que, feitas de um papel leve e frágil, duram apenas o período da festa.

Dispostas na sala de montagem, a organização das bandeirinhas e sua disposição no espaço remetem também ao ofício de Schembri: a pintura. Os pequenos objetos coloridos produzidos pelas artesãs são pendurados em diferentes alturas e dispostos de forma que também tornam-se pinceladas de cor que, uma vez esperadas dividindo áreas numa tela, agora ganham uma tridimensionalidade que pode ser experimentada pelo visitante.

Do início da até o seu último dia de exposição, diariamente, Schembri e Brankovic vão à galeria desmanchar estas bandeirinhas (400), em uma performance que transforma todas as bandeirinhas novamente em pequenos agrupamentos de fios coloridos, como se as mesmas pinceladas que ocupavam o céu agora também colorissem a terra.
Fecha-se o ciclo de TRAMA com a desconstrução da instalação, ativando memórias de algo que se constrói e se desmancha, e que convida ao próximo movimento num contínuo ciclo de construção e desconstrução.

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Conceived by: Raquel Schembri, Dragana Brankovic, Ricardo Portilho. Guest artist: Shima.
Flags: Instituto Kairós’s craftswomen (Macacos), Espaço Alice – Ass. Bom Samaritano (Santo Antônio Village, Bahia), women from Bela Crkva and Sabac (Serbia) and craftswomen from the surroundings of Belo Horizonte.
On a trip to Bela Crkva and Belgrade (Serbia), Raquel Schembri got acquainted with the local knitting and crochet tradition carried out by women in their home environments in small hamlets, not very different from those her memory has registered on her trips around the interior of Brazil.
The process, based on this essentially handmade activity, involved craftswomen from the surroundings of Belo Horizonte, Bela Crkva (Serbia), and Vila de Santo Antônio (Bahia). From this immersion sprang a project that brought together three artists, residents of different cities: Raquel/Munich (Germany), Dragana/Belgrade (Serbia), and Ricardo/Belo Horizonte (Brazil).
A remarkable dimension to be considered was the contact with the universe of each group and each craftswoman alone. Although not shown at Simbio, registers of the crochet manufacturing and production process were gathered for the production of a video documenting some aspects of this project.
Both contrasts and similarities are established once the flags produced in these three cities are displayed side by side. It is impossible for a less experienced eye to tell the difference or even determine the similarity among the crocheted flags. On the other hand, the handmade aspect and process set off memories that refer to the family universe, to the female dimension represented by mothers, grand-aunts, women who calmly and affectively dedicate themselves to the knitting trade, stitch by stitch. The flags, made one by one, resemble the shape of Brazilian June Festival flags, made from light and fragile paper, and bound to live just as long as the festival itself.
The organization of the flags and the way they are laid out in space in the exhibition room also refer to Schembri’s trade, namely, painting. The small and colored objects produced by the craftswomen are hung at different heights, and displayed so that they also end up becoming color brush movements. Once expected to divide a canvas into areas, such movements now gain a sense of tridimensionality that can be experienced by visitors.
On a daily basis, from the first to the very last day of the exhibition, Schembri and Brankovic go the gallery and take down the flags (400), carrying out a performance that rearranges all the flags once again into small colored string groups, as if the same brush movements that once inhabited the sky now also colored the earth.
The WEAVE cycle is thus closed with the deconstruction of the installation, activating memories of something that is built and then dismantled, drawing us along into the next movement in a continuous construction and deconstruction cycle.